História 7º ano

quinta-feira, março 15, 2007

IGREJA DE SÃO PEDRO DE BALSEMÃO

Edificada num lugar da freguesia da Sé do concelho de Lamego, distrito de Viseu, no fundo de um vale por onde passa o rio Balsemão, (imagem um) a pequena igreja de São Pedro de Balsemão (século VII/VIII) tem a sua origem na época da Reconquista e é um dos pouquíssimos exemplares que existem entre nós da arquitectura religiosa da Alta Idade Média, conjuntamente com S. Frutuoso, em Braga (século VII) e S. Pedro de Lourosa, em Oliveira do Hospital (século X).
Embora o templo tenha sofrido muitas alterações com o decorrer dos séculos, da primitiva construção visigótica ainda conserva a disposição geral do interior, formada por três naves separadas por séries de três arcos de volta perfeita que assentam em capitéis coríntios, cuja decoração fitomórfica nos remete para a arte bizantina, e a cabeceira com uma única capela de formato quadrangular (imagem dois).
A estrutura primitiva da igreja está patente ainda na entrada da capela-mor, onde se salienta o emprego de pedras de grande dimensão, bem esquadriadas e colocadas no alto do remate dos pés direitos dos muros. Do mesmo modo, na entrada da cabeceira, o arco ultrapassado com moldura no intradorso leva-nos à arquitectura moçárabe (imagem três). Também a decoração, de base geométrica e abundante, nos situa nas origens suevo-visigóticas da construção. Efectivamente, um olhar atento permite observar temas helicoidais, rosetas, cruciformes, círculos, meandros, ornatos em dente de lobo e em corda. É interessante notar que todos estes elementos não apresentam o talhe em bisel, tão vulgar naquela época e que em nenhum outro templo do mesmo período se encontra tal profusão de ornamentos.
Se nos debruçarmos sobre as impostas de rolo, facilmente notamos a inspiração asturiana, assim como afinidades com as existentes na igreja moçárabe de São Pedro de Lourosa, cuja construção data de 912.
No século XIV, o bispo do Porto, D. Afonso Pires, escolheu o templo para sua sepultura e aí mandou erguer uma capela ou altar em honra de Santa Maria, entronizando uma imagem em pedra de Ança de Nossa Senhora do Ó, do mesmo século, que ainda se conserva. No extremo de uma nave lateral, está colocado o túmulo do bispo, de granito lavrado, com estátua jacente e decorado com três cenas: a Ceia de Cristo, na face esquerda; o Salvador abençoando a Virgem coroada, na testeira; e o Calvário, na face direita (imagem quatro).
No período barroco (ano de 1643), a igreja foi objecto de uma profunda remodelação, tendo os morgados da região, Luís Pinto de Sousa Coutinho e sua mulher, procedido à reedificação do templo e à sua integração no solar dos viscondes de Balsemão, conforme se pode ler na inscrição colocada no exterior. Data dessa época o actual aspecto exterior, pautado pela sobriedade: dois volumes escalonados, com telhados diferentes. O acesso ao templo faz-se por portas laterais, com patins e ampla escadaria. Na fachada Norte, sobre a porta, encontram-se três pedras de armas dos morgados e o coroamento do telhado é feito com uma sineira pequena (imagem cinco).
No interior do templo, há ainda a considerar várias epígrafes funerárias romanas e um término augustal do imperador Cláudio, com data do ano 43. Estes elementos, uma ara votiva e muitas outras peças evidenciam a reutilização de materiais do tempo romano bem como a preocupação em conservar e mostrar elementos tão antigos e prestigiantes.
A Igreja de São Pedro de Balsemão está classificada como Monumento Nacional, pelo Decreto nº 7 586, DG, 138, de 8 de Julho de 1921 e a sua gestão está a cargo da Direcção Regional do Porto (DGP) do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).


Depois de leres o texto, indica quais os templos que formam a tríade mais antiga de arquitectura religiosa nacional.

Refere em que aspecto é que a Igreja de São Pedro de Balsemão mais se distingue e sobressai das outras do mesmo período.


domingo, março 11, 2007

AS CATACUMBAS NA ROMA ANTIGA

A palavra “catacumba” é de origem grega e significa “cavidade, um vale aberto”. Catacumba era o topónimo de uma localidade da Via Appia, onde havia cavas para extrair blocos de tufo. Foi perto desse local que se escavaram as “Catacumbas de São Sebastião”. Só no século IX é que o termo se generalizou com a designação de “cemitério subterrâneo”.
As catacumbas são, assim, antigos cemitérios subterrâneos. Era aí que os cristãos, sobretudo os de Roma, enterravam os seus mortos, a partir do século II, até à primeira metade do século V. Situavam-se ao longo das extensas estradas consulares, nas imediações da cidade. Eram formadas por labirínticas galerias subterrâneas que podiam atingir vários quilómetros. Nas paredes de tufo eram escavadas, por operários especializados, os fossários, filas de nichos rectangulares, denominados lóculos que tanto podiam conter um só cadáver como dois ou três. (imagem um) Os cadáveres eram envolvidos num lençol, colocados no lóculo e este era fechado com uma placa de mármore ou, mais regularmente, com telhas fixadas com argamassa. Sobre a placa era escrito o nome do defunto, com um símbolo cristão ou uma frase em que se desejava paz no céu. Também era frequente a colocação de lamparinas ou vasos com perfumes junto ao lóculos.
Os lóculos não eram a única forma de sepultura. Havia também:
- O arcossólio, que era uma sepultura familiar típica dos séculos III e IV. Consistia num nicho grande com um arco sobrestante e a placa de mármore era colocada horizontalmente. Podia ser decorado com afrescos que reproduziam cenas bíblicas: baptismo, eucaristia e ressurreição.
- O sarcófago, que era um caixão de pedra ou de mármore, com esculturas em relevo ou inscrições.
- O cubículo, que era uma sala pequena com capacidade para vários lóculos. Eram mausoléus familiares.
- A cripta, que era uma sala maior. Muitas criptas deram origem, no tempo do papa São Dâmaso, a igrejas subterrâneas de pequenas dimensões, (imagem dois – Cripta de Santa Cecília - nas catacumbas de São Calixto) decoradas com pinturas, mosaicos e outras decorações. (Imagem três – o Bom Pastor)
Primitivamente apenas com a função de local de deposição do corpo do defunto, passaram a ser o lugar onde os cristãos se reuniam para celebrar os rituais fúnebres, assim como para comemorarem o aniversário do passamento dos seus entes queridos e dos mártires da Igreja cristã. A ideia de que as catacumbas seriam local de esconderijo, durante as perseguições, não é actualmente aceite, vendo-se tal como lenda ou pura ficção cinematográfica. Poderiam ter sido apenas um refúgio momentâneo para a celebração da eucaristia, mas nunca refúgio permanente.
Após o período de perseguição aos cristãos, sobretudo no pontificado de São Dâmaso (366-384), as catacumbas tornaram-se santuários de veneração dos mártires e a elas acorriam cristãos de todo o império romano, em peregrinação. (imagem quatro – Cripta do Papa, nas catacumbas de São Calixto)
Embora existissem em Roma cemitérios a céu aberto, os cristãos, naquela época, preferiam as catacumbas, por várias razões:
- A recusa da cremação dos corpos.
- A resolução do problema de espaço, pois como os cristãos não reutilizavam os sepulcros, em pouco tempo os cemitérios a céu aberto deixariam de ter espaço.
- O sentido de comunidade que, entre os cristãos, os levava a querer estar próximos do defunto.
- A localização das catacumbas, que possibilitava a prática do culto religioso.

Ao redor de Roma há mais de sessenta catacumbas. No entanto, as mais importantes são cinco:
- Catacumbas de Santa Inês, na via Nomentana.
- Catacumbas de Priscila, na via Salária.
- Catacumbas de Domitila, na via delle Sette Chiese.
- Catacumbas de São Sebastião, na Via Appia Antica (Imagem cinco).
- Catacumbas de São Calisto, na Via Appia Antica.

Depois de leres as informações contidas no texto, escreve uma noção de fossário.

Menciona o que eram os lóculos.

Que outras formas de sepultura havia, para além dos lóculos?


sexta-feira, março 09, 2007

OS ARCOS TRIUNFAIS

Os Arcos do Triunfo foram uma espécie de monumento introduzida pelos romanos. Cada arco simboliza a vitória numa batalha, durante o reinado de um imperador, constituindo-se assim como memória dessa batalha e desse imperador, embora muitos desses arcos já tivessem desaparecido.
O estilo Neoclássico usou-os como modelos em novos monumentos, mas noutros contextos que não o original.
Em Roma, há três Arcos do Triunfo que convém conhecer: o Arco de Constantino; o Arco de Tito; e o Arco de Septímio Severo.

O Arco de Constantino situa-se na cidade de Roma, a pouca distância do Coliseu. Foi construído em estilo corintiano, em homenagem à vitória de Constantino sobre Massêncio, na batalha de Ponte Mílvia, em 312 d. C., batalha que terminou vinte anos de confrontos e unificou o poder de Roma.
É interessante notar que nos elementos decorativos são poucos os que recordam Constantino. Há, sim, relevos que mostram o Imperador Marco Aurélio e ornamentos que comemoram a Vitória de Trajano sobre os Dácios. Tal sucede porque os artistas desta época aproveitavam ornamentos e estátuas de outros monumentos antigos.
O Arco de Constantino está decorado nas frentes Norte e Sul. Tem cinco medalhões com o diâmetro de dois metros e estátuas de oito prisioneiros da Dácia que foram retiradas do Forum Trajano.

Comemorando a conquista de Jerusalém, em 1 de Agosto de 67, pelo Imperador Tito Flávio que comandou as hostes romanas foi erigido o Arco de Tito.
Totalmente construído em mármore, no ano 81, e medindo de altura 15,4 metros, de largura 13,5 e de profundidade 4,75, este Arco do Triunfo situa-se no Fórum Romano.
Como ornamentações, podem ver-se, num baixo-relevo talhado de um dos lados, soldados romanos a segurar lanças sem pontas, coroados de louros e transportando os seguintes símbolos do Judaísmo, componentes da mobília sagrada do Templo de Jerusalem: a “Mesa do Pão Ázimo”, as trombetas de prata de Menorá, o candelabro de sete braços. Do outro lado, o relevo mostra Tito vitorioso, de pé, numa carruagem puxada por quatro cavalos e conduzida por uma mulher que representa Roma.
Contém ainda a seguinte inscrição:
SENATVS
POPVLVSQVE·ROMANVS
DIVO·TITO·DIVI·VESPASIANI·F(ILIO)
VESPASIANO·AVGVSTO ("Do Senado e do povo romano para o divino Tito, filho do divino Vespasiano, Vespasiano Augusto").

No lado noroeste do Fórum romano, próximo do Templo de Saturno, encontra-se o Arco de Septímio Severo. Foi edificado em 203 d.C., em comemoração da vitória sobre os Partas, obtida com as duas campanhas militares que foram concluídas em 195 e em 203 d.C e dedicado a Septímio Severo e seus dois filhos, Caracala e Geta. Logo após a morte deste último, foi retirado o seu nome da inscrição contida no arco, para que fosse também apagado da memória dos romanos.

Observando as imagens e lendo os textos, justifica qual dos três arcos é, para ti, o mais imponente.

quinta-feira, março 08, 2007

O COLISEU ROMANO

Denominado Anfiteatro de Flávio e edificado entre as colinas Palatino e Célio, o Coliseu de Roma deve a designação por que é conhecido ao facto de se situar próximo da colossal (daí colosseo) estátua de Nero.
É, de todos os anfiteatros romanos, o que apresenta maiores dimensões. A sua construção foi iniciada em 70 d. C, por ordem do Imperador Vespasiano e inaugurado, pouco antes de concluído, por Tito, no ano 80.
Arquitectonicamente, era formado, inicialmente, por três andares, com a capacidade para quarenta e cinco mil espectadores, sendo-lhe acrescentado um outro andar na época de Severus Alexander e Gordanius III, o que elevou a capacidade do anfiteatro para cerca de noventa mil pessoas. A planta é elíptica (oval), medindo cada um dos dois eixos, cento e noventa metros, o maior e cento e cinquenta e cinco metros, o menor. A fachada apresenta colunas das três ordens arquitectónicas (dórica, jónica e coríntia). No interior, os assentos eram de mármore e a escadaria dividia-se em três partes, destinando-se cada uma a uma classe social: o podium, para a classe mais elevada, onde se localizava a tribuna imperial, ladeada pelos lugares dos senadores e dos magistrados; a maeniana, para a classe média; e os portici, em madeira, para os pobres e mulheres. O acesso às diferentes zonas era facilitado pelas rampas, que estavam protegidas por barreiras e por arqueiros. No cimo da construção havia mísulas, ainda visíveis actualmente, que seguravam a cobertura de lona que protegia do sol (o velarium). Nos subterrâneos, com corredores labirínticos, situavam-se as jaulas, as celas e as galerias onde se guardavam as armas e os instrumentos usados durante os espectáculos.
Como o edifício não se encontrava “enterrado” em nenhuma zona de encosta, era circundado por um “anel” artificial de rocha, estrutura que, para além de garantir a segurança do edifício, servia de ornamento e de condicionador da entrada dos espectadores.
Os materiais usados na construção do Coliseu foram o mármore, a pedra travertina, o ladrilho e o tufo calcário.
O Anfiteatro Flávio era o espaço onde decorria uma série de espectáculos e de jogos, alguns violentos e desumanos: combates entre gladiadores, entre estes e feras, entre cristãos e feras e combates navais, dado que, situando-se o edifício sobre o lago da casa de Nero, a arena dispunha de um óptimo sistema de drenagem que, quando fechado, retinha as águas pluviais, permitindo, assim, a realização de combates navais.
Os combates até à morte de um ser humano foram proibidos desde 404, passando a ser massacrados apenas animais como leões, panteras e elefantes.

Constrói um pequeno texto em que demonstres, a partir das informações que te forneço e dos conhecimentos que possuis, que o Coliseu era um monumento grandioso.

Manifesta a tua opinião sobre o facto dos cristãos serem lançados às feras na arena do Coliseu.

ARQUITECTURA ROMANA

Da matéria que aprendemos sobre Roma, o aspecto que mais me entusiasmou foi o da arquitectura, sobretudo algumas construções e, de entre elas, o Circo Romano, o Coliseu e os Arcos do Triunfo.

O CIRCO ROMANO

De forma oval, e situado num vale entre as colinas Palatina e Aventina, o Circo Máximo era, primitivamente, o local onde se realizavam jogos de entretenimento e, posteriormente, a maior pista de corridas de Roma. Na época da sua inauguração, as pessoas assistiam às corridas sentados nas colinas. Mais tarde, construiu-se um estádio, primeiro em madeira e só depois em pedra. Por esta altura, o estádio em pedra já apresentava portas de entrada num dos extremos da pista, um arco no final, (o arco de Tito) uma barreira central e uma arquibancada.
No século II a. C., passou a ser o espaço onde decorriam festivais e corridas de carros puxados por cavalos. Posteriormente, indo ao encontro das exigências dos cidadãos romanos, Júlio César, cerca do ano 50 a. C., aumentou a pista que ficou com seiscentos metros de cumprimento e duzentos e vinte e cinco de envergadura. Estas dimensões possibilitavam acomodar à volta de cento e cinquenta mil pessoas em lugares sentados e outras tantas em pé.
Domiciano ligou o seu novo palácio ao Circo para assistir às corridas e Trajano acrescentou-lhe cinco mil lugares sentados, ficando com a capacidade de trezentos e oitenta e cinco mil espectadores. Alargou também a zona imperial, para obter maior e melhor visibilidade durante as corridas.
As pedras deste monumento foram saqueadas durante a Idade Média e o Renascimento e, actualmente, quase nada existe.
Nas corridas de cavalos que se realizavam no Circo Máximo participavam quatro equipas, distinguindo-se pelas cores: branca, vermelha, azul e verde. Cada carruagem, fabricada em madeira e frágil, era puxada por dois ou quatro cavalos (neste último caso, eram chamadas quadrigas). Os competidores, na sua maioria escravos, tinham de possuir muita perícia, pois era difícil equilibrar essas estruturas de madeira durante as sete voltas do percurso. Os vencedores recebiam como prémio um ramo de palma e uma coroa de louro, ficando famosos. Muitos dos escravos vencedores, com o dinheiro que conquistavam, compravam a liberdade.

Escreve a tua opinião sobre o facto de na Idade Média e no Renascimento terem destruído este monumento quase por completo.

Emite uma opinião sobre se consideras importante que se reconstrua o Circo Romano, a partir das indicações que se possuem ou se seria um trabalho de pouca importância, pois Roma já tem muitos monumentos que atestam o seu passado glorioso.