História 7º ano

domingo, janeiro 21, 2007

AS MULHERES GREGAS

As mulheres gregas pertenciam a vários grupos: podiam ser mulheres livres ou escravas; podiam ser cidadãs ou metecas; podiam pertencer a uma classe superior ou a uma classe inferior. Qualquer que fosse a classe a que pertencessem, não tinham qualquer direito político e em todas as fases da sua vida eram controladas por um homem: pai, marido ou irmão. Não tinha, portanto, o direito de se expressar em qualquer momento da sua vida. Se casava, passava de propriedade do pai a propriedade do marido; se ficava solteira, nunca saía do domínio do pai ou de quem o substituísse. Não casar era uma desonra para a família e a rapariga era vista como uma falhada que só traria despesas contínuas à casa.

Uma mulher grega livre principiava a sua vida como membro de uma família dominada por um homem, habitualmente o pai, que era chamado kyrios ou cabeça de família. Este cabeça de família tinha poder de vida ou de morte sobre os recém-nascidos da família. Assim, se o bebé era doente, se tinha algum defeito ou mesmo se era rapariga, podia abandoná-lo ou deixá-lo morrer.
Se a menina era destinada a viver, a mãe ensinava-lhe as tarefas domésticas: cozinhar, tecer, fiar e saber governar a casa. Era a preparação para quando ela fosse esposa e mãe. Já mais crescida, a jovem aprendia a forma de se tornar mais bela e atraente aos olhos do futuro marido e, cerca dos quinze anos, os pais arranjavam-lhe um matrimónio de conveniência, geralmente com um homem muito mais velho, que casava atraído pela beleza e juventude da noiva e sobretudo pelo dote ou oferta monetária com que era dotada. O valor do dote era muito importante, pois quem ficasse com ele era obrigado a sustentar essa mulher. Caso houvesse um divórcio, o dote era restituído à mulher. Quando se casava, a mulher passava a viver em casa do marido. Este esperava que ela já estivesse experimentada nas tarefas que lhe competiam, mas ele próprio a treinaria para o estilo de vida a que estava acostumado.
A principal missão da esposa era ser mãe, sobretudo de rapazes, que deveriam sobreviver aos pais e herdar a propriedade da família. Uma filha só era herdeira se não houvesse filhos legítimos e se casasse com um homem escolhido pelo pai, para que esse herdasse o património da família. Muitas vezes, o pai casava-a com um parente próximo. Para um marido, era importante saber que todos os filhos da sua esposa eram dele. Esperava, por isso, que a mulher lhe fosse fiel. Caso se comprovasse que tinha sido infiel, o marido podia divorciar-se e ela era excluída das cerimónias públicas, proibida de usar jóias e considerada como um pária social, ou seja, como alguém desprezível.
O momento de dar à luz um filho era muito perigoso. Muitas mulheres gregas morriam e os bebés também não sobreviviam. Cada mulher podia ter mais de dez filhos. Por isso, as que sobreviviam aos partos sucessivos, ficavam tão desgastadas que poucas iam além dos trinta e cinco anos de vida. À mãe competia a tarefa de cuidar do seu bebé e se este fosse rapariga destinada a sobreviver, toda a sua educação estava a cargo da progenitora. As raparigas de classe inferior aprendiam as mesmas tarefas que as de classe superior, para terem um meio de subsistência, indo depois trabalhar para casa de famílias ricas. As mães da classe superior contratavam ou compravam frequentemente amas para lhes alimentarem os filhos e cuidar deles. A maior parte das amas eram escravas e eram quase sempre muito amadas pelas crianças que criavam.
As escravas eram mulheres que tinham sido capturadas na guerra ou que eram trazidas por traficantes de escravos, ou ainda crianças abandonadas à nascença ou vendidas pelos pais que se encontravam num estado de profunda pobreza. Eram-lhes destinados os trabalhos domésticos que a esposa do dono orientava e, muitas vezes, enquanto jovens, eram também exploradas sexualmente.
Quanto à vida pública das mulheres, há historiadores que defendem que a maioria das mulheres era obrigada a viver sempre em casa, só saindo à rua na companhia do marido. Outros, contudo, baseando-se em peças teatrais da época em que as personagens femininas são livres de se movimentarem dentro e fora de casa, consideram que a mulher não seria tão reprimida como poderá parecer. Fosse como fosse, esperava-se da mulher que cumprisse os papéis que lhe estavam destinados e que tivesse em público um comportamento correcto e formal.
Ao lermos algumas inscrições tumulares, apercebemo-nos de que havia mulheres que não se dedicavam exclusivamente ao trabalho doméstico. Umas eram parteiras e médicas, outras eram amas, outras merceeiras, outras ainda, nas zonas rurais, trabalhavam nos campos e ajudavam os maridos no transporte dos produtos para as cidades – actividades que eram consideradas respeitáveis. Havia também outras formas de trabalho, como as relacionadas com o entretenimento, mas essas eram destinadas às escravas e às metecas: havia jovens que cantavam e tocavam instrumentos musicais nas festas destinadas exclusivamente a homens e onde se praticava todo o tipo de prostituição. Se a jovem era dotada para o canto e para a dança, era treinada como hetera, ou seja, cortesã que participava em cerimónias festivas.
Era, porém, no campo religioso que as mulheres dispunham de mais liberdade para se envolverem na vida da comunidade. Muitas vezes eram nomeadas sacerdotisas e, como tal, recebiam grandes honras. Outras vezes eram adoradoras ou tomavam parte em rituais e festivais só permitidos aos iniciados num determinado culto.
Em Esparta, contrariamente ao que acontecia em Atenas, a mulher participava, tal como o homem, num intenso treino físico, com a finalidade de se vir a tornar uma mãe forte e saudável, com a capacidade de ter filhos igualmente fortes e sãos. Mesmo durante a gravidez, o que não acontecia com as outras mulheres gregas, as espartanas eram aconselhadas a manterem o treino físico e a comerem e beberem o que lhes apetecesse. Com tanta actividade física, a mulher de Esparta ganhava uma aparência musculosa e mesmo masculina, o que a tornava alvo da troça das atenienses e das mulheres das outras cidades. Estava proibida de usar adornos físicos, como cosméticos ou jóias e não trabalhava nem na tecelagem nem na fiação. Devia, sim, estar apta para ser a esposa e a mãe de um bom soldado.

Depois de leres o meu texto sobre “As mulheres na Grécia”, dá a tua opinião sobre o género de vida a que a mulher grega tinha de se sujeitar.

Expressa também a tua opinião sobre a mulher espartana e se consideras bem que fosse sujeita a um treino físico semelhante ao dos homens.