História 7º ano

quarta-feira, novembro 15, 2006

CONTINUANDO COM A HISTÓRIA...

Os quatro filhos de Geb e Nut eram, então, Ísis e Osíris, que casaram um com o outro, nascendo deles Hórus, e Néftis e Seth, que também casaram entre si.

Ísis era a deusa da medicina, do casamento, da cultura do trigo e da magia. Personifica a primeira civilização egípcia. Era a mais popular de todas as deusas. Consideravam-na a deusa da família e o modelo de mãe e esposa. Era invencível e protectora. Com os poderes mágicos que tinha, ajudava os necessitados. Acreditava-se que fora ela quem criara o Nilo, com as lágrimas que chorara pela morte do esposo, Osíris. Representavam-na usando na cabeça um trono, que é o hieróglifo do seu nome. Conseguiu ressuscitar o seu marido, reunindo as partes do seu corpo que tinham sido espalhadas pelo seu irmão (o terrível Seth), e juntos conceberam um filho, Hórus.
Pondo de parte a lenda, Ísis era a esposa de um antigo rei do Egipto, Osíris, que foi elevada à categoria de deusa, quando morreu. Para os egípcios, Ísis era a lua e seu marido, Osíris, era o sol.

Osíris é o deus dos mortos e do renascimento, rei e juiz supremo do mundo dos mortos. Segundo se crê, ele teria sido o primeiro faraó que ensinou ao seu povo o cultivo dos campos e deu-lhe leis sábias. Quando julgou ter terminado a sua obra, entregou o governo do reino a sua esposa e, na companhia do filho, percorreu várias regiões (Etiópia, Arábia e Índia), nas quais ensinou os benefícios da agricultura, das leis e da religião. Quando regressou, foi morto por seu irmão Seth que estava desejoso do poder e o corpo foi lançado ao Nilo. A esposa, como pretendia dar sepultura condigna ao marido, procurou o corpo, encontrando-o em Biblos, na Fenícia. Em seguida, reuniu um exército que lutou contra Seth, vencendo-o.
Na lenda, Osíris é retalhado por Seth em catorze pedaços que ficam dispersos. Ísis encontra-os, menos o pedaço correspondente ao falo, e consegue ressuscitar o marido, concebendo Hórus só com a força do espírito.
As imagens em que Osíris é representado mostram-no-lo com a cabeça coberta por uma mitra branca. É descrito como um ser bondoso, que sofre uma morte cruel com a qual assegura a vida e a felicidade eternas a todos os seus protegidos. É ainda a divindade que encarna a terra egípcia e a sua vegetação, destruída pelo sol e pela seca, mas que sempre ressurge pelas águas do Nilo.

Néftis era a quarta filha de Nut e Geb. O seu nome significa “Senhora da Casa”, entendendo-se por “casa” o lugar onde vive Hórus. Representava as terras áridas e secas do deserto e a morte e era a deusa protectora dos túmulos. Casou com Seth e, depois de ter brigado com o marido, fantasiou-se de Ísis. Osíris confundiu-a e de uma relação entre eles, nasceu Anúbis. Foi Néftis que ajudou Ísis a recolher os pedaços do corpo do marido que tinham sido retalhados por Seth.
Os egípcios representavam-na como uma figura feminina com o hieróglifo do seu nome na cabeça. Este hieróglifo é um cesto colocado sobre uma coluna, que usa na cabeça.

Seth era o deus da violência, da desordem, do caos, do deserto e das terras estrangeiras.. Era um deus malvado, encarnando o espírito do mal e, no Alto Egipto, consideravam-no também o deus da tempestade. Os outros deuses detestavam-no pelas sua acções, sobretudo pela morte cruel de seu irmão e, por isso, voltaram-se contra ele. Hórus conseguiu vencer Seth e, segundo umas versões, matou-o. Segundo outras, apenas o castrou.
O deus Seth era associado a vários animais: o cachorro, o crocodilo, o porco, o asno e o escorpião. Daí a sua aparência orelhuda e nariguda. Era ainda representado como um hipopótamo, que era considerado no Egipto um animal destrutivo e perigoso. Personifica a ambição e o mal.


Osíris e Ísis conceberam um filho, Hórus.
Hórus é o deus criador do Universo. Era representado por um falcão ou como um homem com cabeça de falcão, usando sempre as duas coroas: a do Alto e a do Baixo Egipto. Na qualidade de deus do céu, é o falcão cujos olhos são o sol e a lua. Com o nome de “Hórus do horizonte”, assume uma das formas do sol, a que dá claridade à terra durante o dia.
Hórus era adorado por todos e era considerado como o mais importante de todos os deuses, aquele que guiava as almas até ao reino dos mortos.
Vencedor de Seth, numa batalha em que perde um dos olhos, recebeu como recompensa o trono do Egipto, passando a usar sobre a cabeça uma serpente, em substituição do olho perdido. Após ele, todos os faraós passaram a usar essa serpente como símbolo de autoridade e da sua capacidade para tudo ver e tudo saber.


Quando Atum (Rá) envelheceu, colocou no seu trono Shu e Tefnet, avós de Osíris e de Ísis. Estes dois deuses, juntamente com o filho Hórus vão constituir a primeira trindade egípcia, tornando-se, de certo modo, os deuses nacionais e, por isso, venerados em todo o país.
As façanhas destes três deuses, às quais me referi muito resumidamente, foram escritas por Plutarco, numa obra intitulada Osíris e Ísis.

sábado, novembro 11, 2006

A CRIAÇÃO DO MUNDO E OS DEUSES EGÍPCIOS

Os egípcios eram politeístas, o que quer dizer que adoravam vários deuses.
Estes deuses tanto podiam ser animais que eram considerados sagrados, como por exemplo, o gato, o boi ou o crocodilo, como eram também deuses que representavam de forma antropozoomórfica, ou seja, com partes do corpo como as de um ser humano (antropomorfismo) e outras partes como a de alguns animais (zoomorfismo).

Os egípcios têm uma lenda muito interessante que explica a criação do mundo e alguns dos seus deuses. É esta lenda que começo agora a relatar.

No princípio existia o Nun, que era a divindade que personificava as águas primordiais. É a divindade egípcia mais velha e mais sábia de todas. Representavam Nun como um homem barbado, com uma pena na cabeça e segurando um cajado.



Nesse abismo líquido escondia-se Atum, num botão de Lótus. Atum é o deus que protagoniza o mito da criação. O seu nome egípcio era Itemu, o que significa “Totalidade” ou “Estar completo”. Era representado como um homem com barba que usava a coroa dupla do faraó. Por vezes podia aparecer com uma serpente e usando as duas coroas (a do Alto e a do Baixo Egipto). Era o rei de todos os deuses.
Um dia, sem que se contasse, Atum apareceu sobre o Caos como Rá (Sol) e criou dois filhos também divinos. Um era Chu ou Shu e o outro, uma deusa, era Tefnet.


Chu ou Shu era o deus do ar seco e da luz do sol. Foi ele que separou o céu da terra e era o responsável pela vida, pois era deus da luz do dia. Representava-se como um homem que usava uma grande pluma de avestruz na cabeça. Acreditava-se que afastava a fome dos mortos.




Tefnet ou Tefnut era irmã e esposa de Shu e surgiu de um vómito de Atum. Era a deusa da humidade e das nuvens e o símbolo das dádivas e da generosidade. Retratavam-na, às vezes, com cabeça de leoa, o que indicava poder. Sobre a cabeça usava o disco solar e uma serpente, a serpente Uraeus. Enquanto seu irmão e marido Shu afastava a fome dos mortos, ela afastava a sede. O casal gerou dois filhos, Geb e Nut.





Geb era o deus egípcio da terra, responsável pela fertilidade e pelo sucesso nas colheitas. Também era considerado deus da morte, porque se acreditava que ele prendia os espíritos maus, impedindo-os de ir para o céu. Era representado com as cores verde (a vida) e preto (a lama fértil do Nilo), usando uma pluma e chifres em forma de aríete. Nas pinturas, surgia com um ganso sobre a cabeça.





Nut era a deusa do céu que acolhia os mortos no seu reino. Casou com Geb, seu irmão e geraram as deusas Ísis e Néftis e os deuses Osíris e Seth. Nut era representada, muitas vezes, com a forma de uma vaca, pois dizia-se que tinha sofrido espontaneamente uma metamorfose. Outras vezes, o seu corpo aparece alongado, coberto por estrelas, formando o arco da abóbada celeste que se estende sobre a terra. O dia vinte e cinco de Fevereiro foi consagrado a esta deusa.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Desta vez, terminamos a nossa viagem pela arte pré-histórica.
Deixemos a arte megalítica e voltemos à pintura e gravura da época. Sobre estas expressões artísticas seleccionei pinturas em grutas e abrigos.

É já uma pintura esquemática, como esta que se encontra na gruta de Penas Róias, em Mogadouro, onde se podem ver cinco figuras antropomórficas (representações da figura humana). São mesmo deliciosas!


E para concluir, esta gravura neolítica. Pode ser vista no complexo paleolítico do Vale do Tejo. Este complexo estende-se por mais de 40 quilómetros, nos quais existem mais de 40 mil gravuras. Infelizmente, muitas delas estão submersas pelas águas das barragens. As gravuras foram realizadas em rochas xistosas como a que apresento. É predominantemente uma arte esquemática, abstracta e simbólica.