História 7º ano

sábado, setembro 23, 2006

VIDA DE CAÇADOR - HOMO SAPIENS

Depois de um dia de caça, estou de regresso ao meu acampamento, com os homens do meu grupo. Alguns de nós trazem às costas animais de pequeno porte. Outros arrastam com a ajuda de fortes paus um enorme mamute. As nossas mulheres também já cumpriram as suas tarefas: trataram das crianças e recolheram ovos, raízes e frutos.
Logo à noite, quando se vir a Lua, faremos uma grande festa à volta da fogueira, com a grande caçada que tivemos. Comeremos a carne dos animais, acompanhada com as raízes e os frutos. Os ovos guardá-los-emos para mais tarde. Pode ser que não voltemos a ter tanta sorte nas próximas caçadas.

Sinto-me um pouco cansado. Hoje levantei-me muito cedo, ainda estava o sol a nascer. Quando vamos caçar tem de ser assim. Reunimo-nos todos à alvorada e começámos a caminhar. Andámos, andámos, até que encontrámos um abismo. Seria um bom local para atrair a presa.
Decidi (como era o chefe da tribo) dividir o grupo: uns ficaram em baixo à espera da presa grande e caçaram alguns pequenos predadores que por ali andavam; os outros, os mais fortes, procuraram, sob o meu comando, um animal corpulento. Passado algum tempo, deparámos com um mamute feroz. Ficámos cheios de medo, mas quando ganhámos coragem, pegámos nas lanças e nos arpões e atirámos-lhos. Ferimo-lo, mas não o suficiente para ele se dar por vencido. Assim, foi preciso corrermos muito para o cansarmos e atrairmos ao local onde estava o resto do grupo. Ao chegarmos ao abismo, já o mamute se encontrava bastante ferido e cansado. Aproveitámos para o empurrar, até que rolou pelo despenhadeiro, só parando na armadilha que os outros membros do grupo lhe tinham preparado, na nossa ausência.

Ao verem um animal de tamanho porte, os nossos homens que estavam no fim do abismo espetaram no mamute as suas armas até que morreu. No meio disto tudo, morreu também um de nós. Foi preciso transportá-lo, para o sepultarmos, pois nunca deixaríamos abandonado um companheiro querido. Éramos muitos, mas a caçada tinha corrido tão bem e tínhamos tantos animais que era difícil transportar tudo. Tivemos de pedir ajuda aos caçadores de uma tribo vizinha que daqui a pouco virão cear connosco.
Já o sol ia alto quando chegámos ao acampamento.

Já no acampamento, escolhemos o local onde enterraríamos o nosso companheiro. Abrimos a sepultura, colocámos lá o corpo na posição fetal, depois de pintado, juntamente com objectos que lhe tinham pertencido, comida e flores.
Entretanto, esquartejámos os animais caçados, guardámos as peles para o nosso vestuário e enquanto não anoitece, vamos fabricando armas e ensinando os nossos filhos a fabricá-las com raspadores e lâminas.
Um dia, serão eles quem caçará para nós.