História 7º ano

quinta-feira, março 15, 2007

IGREJA DE SÃO PEDRO DE BALSEMÃO

Edificada num lugar da freguesia da Sé do concelho de Lamego, distrito de Viseu, no fundo de um vale por onde passa o rio Balsemão, (imagem um) a pequena igreja de São Pedro de Balsemão (século VII/VIII) tem a sua origem na época da Reconquista e é um dos pouquíssimos exemplares que existem entre nós da arquitectura religiosa da Alta Idade Média, conjuntamente com S. Frutuoso, em Braga (século VII) e S. Pedro de Lourosa, em Oliveira do Hospital (século X).
Embora o templo tenha sofrido muitas alterações com o decorrer dos séculos, da primitiva construção visigótica ainda conserva a disposição geral do interior, formada por três naves separadas por séries de três arcos de volta perfeita que assentam em capitéis coríntios, cuja decoração fitomórfica nos remete para a arte bizantina, e a cabeceira com uma única capela de formato quadrangular (imagem dois).
A estrutura primitiva da igreja está patente ainda na entrada da capela-mor, onde se salienta o emprego de pedras de grande dimensão, bem esquadriadas e colocadas no alto do remate dos pés direitos dos muros. Do mesmo modo, na entrada da cabeceira, o arco ultrapassado com moldura no intradorso leva-nos à arquitectura moçárabe (imagem três). Também a decoração, de base geométrica e abundante, nos situa nas origens suevo-visigóticas da construção. Efectivamente, um olhar atento permite observar temas helicoidais, rosetas, cruciformes, círculos, meandros, ornatos em dente de lobo e em corda. É interessante notar que todos estes elementos não apresentam o talhe em bisel, tão vulgar naquela época e que em nenhum outro templo do mesmo período se encontra tal profusão de ornamentos.
Se nos debruçarmos sobre as impostas de rolo, facilmente notamos a inspiração asturiana, assim como afinidades com as existentes na igreja moçárabe de São Pedro de Lourosa, cuja construção data de 912.
No século XIV, o bispo do Porto, D. Afonso Pires, escolheu o templo para sua sepultura e aí mandou erguer uma capela ou altar em honra de Santa Maria, entronizando uma imagem em pedra de Ança de Nossa Senhora do Ó, do mesmo século, que ainda se conserva. No extremo de uma nave lateral, está colocado o túmulo do bispo, de granito lavrado, com estátua jacente e decorado com três cenas: a Ceia de Cristo, na face esquerda; o Salvador abençoando a Virgem coroada, na testeira; e o Calvário, na face direita (imagem quatro).
No período barroco (ano de 1643), a igreja foi objecto de uma profunda remodelação, tendo os morgados da região, Luís Pinto de Sousa Coutinho e sua mulher, procedido à reedificação do templo e à sua integração no solar dos viscondes de Balsemão, conforme se pode ler na inscrição colocada no exterior. Data dessa época o actual aspecto exterior, pautado pela sobriedade: dois volumes escalonados, com telhados diferentes. O acesso ao templo faz-se por portas laterais, com patins e ampla escadaria. Na fachada Norte, sobre a porta, encontram-se três pedras de armas dos morgados e o coroamento do telhado é feito com uma sineira pequena (imagem cinco).
No interior do templo, há ainda a considerar várias epígrafes funerárias romanas e um término augustal do imperador Cláudio, com data do ano 43. Estes elementos, uma ara votiva e muitas outras peças evidenciam a reutilização de materiais do tempo romano bem como a preocupação em conservar e mostrar elementos tão antigos e prestigiantes.
A Igreja de São Pedro de Balsemão está classificada como Monumento Nacional, pelo Decreto nº 7 586, DG, 138, de 8 de Julho de 1921 e a sua gestão está a cargo da Direcção Regional do Porto (DGP) do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).


Depois de leres o texto, indica quais os templos que formam a tríade mais antiga de arquitectura religiosa nacional.

Refere em que aspecto é que a Igreja de São Pedro de Balsemão mais se distingue e sobressai das outras do mesmo período.


domingo, março 11, 2007

AS CATACUMBAS NA ROMA ANTIGA

A palavra “catacumba” é de origem grega e significa “cavidade, um vale aberto”. Catacumba era o topónimo de uma localidade da Via Appia, onde havia cavas para extrair blocos de tufo. Foi perto desse local que se escavaram as “Catacumbas de São Sebastião”. Só no século IX é que o termo se generalizou com a designação de “cemitério subterrâneo”.
As catacumbas são, assim, antigos cemitérios subterrâneos. Era aí que os cristãos, sobretudo os de Roma, enterravam os seus mortos, a partir do século II, até à primeira metade do século V. Situavam-se ao longo das extensas estradas consulares, nas imediações da cidade. Eram formadas por labirínticas galerias subterrâneas que podiam atingir vários quilómetros. Nas paredes de tufo eram escavadas, por operários especializados, os fossários, filas de nichos rectangulares, denominados lóculos que tanto podiam conter um só cadáver como dois ou três. (imagem um) Os cadáveres eram envolvidos num lençol, colocados no lóculo e este era fechado com uma placa de mármore ou, mais regularmente, com telhas fixadas com argamassa. Sobre a placa era escrito o nome do defunto, com um símbolo cristão ou uma frase em que se desejava paz no céu. Também era frequente a colocação de lamparinas ou vasos com perfumes junto ao lóculos.
Os lóculos não eram a única forma de sepultura. Havia também:
- O arcossólio, que era uma sepultura familiar típica dos séculos III e IV. Consistia num nicho grande com um arco sobrestante e a placa de mármore era colocada horizontalmente. Podia ser decorado com afrescos que reproduziam cenas bíblicas: baptismo, eucaristia e ressurreição.
- O sarcófago, que era um caixão de pedra ou de mármore, com esculturas em relevo ou inscrições.
- O cubículo, que era uma sala pequena com capacidade para vários lóculos. Eram mausoléus familiares.
- A cripta, que era uma sala maior. Muitas criptas deram origem, no tempo do papa São Dâmaso, a igrejas subterrâneas de pequenas dimensões, (imagem dois – Cripta de Santa Cecília - nas catacumbas de São Calixto) decoradas com pinturas, mosaicos e outras decorações. (Imagem três – o Bom Pastor)
Primitivamente apenas com a função de local de deposição do corpo do defunto, passaram a ser o lugar onde os cristãos se reuniam para celebrar os rituais fúnebres, assim como para comemorarem o aniversário do passamento dos seus entes queridos e dos mártires da Igreja cristã. A ideia de que as catacumbas seriam local de esconderijo, durante as perseguições, não é actualmente aceite, vendo-se tal como lenda ou pura ficção cinematográfica. Poderiam ter sido apenas um refúgio momentâneo para a celebração da eucaristia, mas nunca refúgio permanente.
Após o período de perseguição aos cristãos, sobretudo no pontificado de São Dâmaso (366-384), as catacumbas tornaram-se santuários de veneração dos mártires e a elas acorriam cristãos de todo o império romano, em peregrinação. (imagem quatro – Cripta do Papa, nas catacumbas de São Calixto)
Embora existissem em Roma cemitérios a céu aberto, os cristãos, naquela época, preferiam as catacumbas, por várias razões:
- A recusa da cremação dos corpos.
- A resolução do problema de espaço, pois como os cristãos não reutilizavam os sepulcros, em pouco tempo os cemitérios a céu aberto deixariam de ter espaço.
- O sentido de comunidade que, entre os cristãos, os levava a querer estar próximos do defunto.
- A localização das catacumbas, que possibilitava a prática do culto religioso.

Ao redor de Roma há mais de sessenta catacumbas. No entanto, as mais importantes são cinco:
- Catacumbas de Santa Inês, na via Nomentana.
- Catacumbas de Priscila, na via Salária.
- Catacumbas de Domitila, na via delle Sette Chiese.
- Catacumbas de São Sebastião, na Via Appia Antica (Imagem cinco).
- Catacumbas de São Calisto, na Via Appia Antica.

Depois de leres as informações contidas no texto, escreve uma noção de fossário.

Menciona o que eram os lóculos.

Que outras formas de sepultura havia, para além dos lóculos?


sexta-feira, março 09, 2007

OS ARCOS TRIUNFAIS

Os Arcos do Triunfo foram uma espécie de monumento introduzida pelos romanos. Cada arco simboliza a vitória numa batalha, durante o reinado de um imperador, constituindo-se assim como memória dessa batalha e desse imperador, embora muitos desses arcos já tivessem desaparecido.
O estilo Neoclássico usou-os como modelos em novos monumentos, mas noutros contextos que não o original.
Em Roma, há três Arcos do Triunfo que convém conhecer: o Arco de Constantino; o Arco de Tito; e o Arco de Septímio Severo.

O Arco de Constantino situa-se na cidade de Roma, a pouca distância do Coliseu. Foi construído em estilo corintiano, em homenagem à vitória de Constantino sobre Massêncio, na batalha de Ponte Mílvia, em 312 d. C., batalha que terminou vinte anos de confrontos e unificou o poder de Roma.
É interessante notar que nos elementos decorativos são poucos os que recordam Constantino. Há, sim, relevos que mostram o Imperador Marco Aurélio e ornamentos que comemoram a Vitória de Trajano sobre os Dácios. Tal sucede porque os artistas desta época aproveitavam ornamentos e estátuas de outros monumentos antigos.
O Arco de Constantino está decorado nas frentes Norte e Sul. Tem cinco medalhões com o diâmetro de dois metros e estátuas de oito prisioneiros da Dácia que foram retiradas do Forum Trajano.

Comemorando a conquista de Jerusalém, em 1 de Agosto de 67, pelo Imperador Tito Flávio que comandou as hostes romanas foi erigido o Arco de Tito.
Totalmente construído em mármore, no ano 81, e medindo de altura 15,4 metros, de largura 13,5 e de profundidade 4,75, este Arco do Triunfo situa-se no Fórum Romano.
Como ornamentações, podem ver-se, num baixo-relevo talhado de um dos lados, soldados romanos a segurar lanças sem pontas, coroados de louros e transportando os seguintes símbolos do Judaísmo, componentes da mobília sagrada do Templo de Jerusalem: a “Mesa do Pão Ázimo”, as trombetas de prata de Menorá, o candelabro de sete braços. Do outro lado, o relevo mostra Tito vitorioso, de pé, numa carruagem puxada por quatro cavalos e conduzida por uma mulher que representa Roma.
Contém ainda a seguinte inscrição:
SENATVS
POPVLVSQVE·ROMANVS
DIVO·TITO·DIVI·VESPASIANI·F(ILIO)
VESPASIANO·AVGVSTO ("Do Senado e do povo romano para o divino Tito, filho do divino Vespasiano, Vespasiano Augusto").

No lado noroeste do Fórum romano, próximo do Templo de Saturno, encontra-se o Arco de Septímio Severo. Foi edificado em 203 d.C., em comemoração da vitória sobre os Partas, obtida com as duas campanhas militares que foram concluídas em 195 e em 203 d.C e dedicado a Septímio Severo e seus dois filhos, Caracala e Geta. Logo após a morte deste último, foi retirado o seu nome da inscrição contida no arco, para que fosse também apagado da memória dos romanos.

Observando as imagens e lendo os textos, justifica qual dos três arcos é, para ti, o mais imponente.

quinta-feira, março 08, 2007

O COLISEU ROMANO

Denominado Anfiteatro de Flávio e edificado entre as colinas Palatino e Célio, o Coliseu de Roma deve a designação por que é conhecido ao facto de se situar próximo da colossal (daí colosseo) estátua de Nero.
É, de todos os anfiteatros romanos, o que apresenta maiores dimensões. A sua construção foi iniciada em 70 d. C, por ordem do Imperador Vespasiano e inaugurado, pouco antes de concluído, por Tito, no ano 80.
Arquitectonicamente, era formado, inicialmente, por três andares, com a capacidade para quarenta e cinco mil espectadores, sendo-lhe acrescentado um outro andar na época de Severus Alexander e Gordanius III, o que elevou a capacidade do anfiteatro para cerca de noventa mil pessoas. A planta é elíptica (oval), medindo cada um dos dois eixos, cento e noventa metros, o maior e cento e cinquenta e cinco metros, o menor. A fachada apresenta colunas das três ordens arquitectónicas (dórica, jónica e coríntia). No interior, os assentos eram de mármore e a escadaria dividia-se em três partes, destinando-se cada uma a uma classe social: o podium, para a classe mais elevada, onde se localizava a tribuna imperial, ladeada pelos lugares dos senadores e dos magistrados; a maeniana, para a classe média; e os portici, em madeira, para os pobres e mulheres. O acesso às diferentes zonas era facilitado pelas rampas, que estavam protegidas por barreiras e por arqueiros. No cimo da construção havia mísulas, ainda visíveis actualmente, que seguravam a cobertura de lona que protegia do sol (o velarium). Nos subterrâneos, com corredores labirínticos, situavam-se as jaulas, as celas e as galerias onde se guardavam as armas e os instrumentos usados durante os espectáculos.
Como o edifício não se encontrava “enterrado” em nenhuma zona de encosta, era circundado por um “anel” artificial de rocha, estrutura que, para além de garantir a segurança do edifício, servia de ornamento e de condicionador da entrada dos espectadores.
Os materiais usados na construção do Coliseu foram o mármore, a pedra travertina, o ladrilho e o tufo calcário.
O Anfiteatro Flávio era o espaço onde decorria uma série de espectáculos e de jogos, alguns violentos e desumanos: combates entre gladiadores, entre estes e feras, entre cristãos e feras e combates navais, dado que, situando-se o edifício sobre o lago da casa de Nero, a arena dispunha de um óptimo sistema de drenagem que, quando fechado, retinha as águas pluviais, permitindo, assim, a realização de combates navais.
Os combates até à morte de um ser humano foram proibidos desde 404, passando a ser massacrados apenas animais como leões, panteras e elefantes.

Constrói um pequeno texto em que demonstres, a partir das informações que te forneço e dos conhecimentos que possuis, que o Coliseu era um monumento grandioso.

Manifesta a tua opinião sobre o facto dos cristãos serem lançados às feras na arena do Coliseu.

ARQUITECTURA ROMANA

Da matéria que aprendemos sobre Roma, o aspecto que mais me entusiasmou foi o da arquitectura, sobretudo algumas construções e, de entre elas, o Circo Romano, o Coliseu e os Arcos do Triunfo.

O CIRCO ROMANO

De forma oval, e situado num vale entre as colinas Palatina e Aventina, o Circo Máximo era, primitivamente, o local onde se realizavam jogos de entretenimento e, posteriormente, a maior pista de corridas de Roma. Na época da sua inauguração, as pessoas assistiam às corridas sentados nas colinas. Mais tarde, construiu-se um estádio, primeiro em madeira e só depois em pedra. Por esta altura, o estádio em pedra já apresentava portas de entrada num dos extremos da pista, um arco no final, (o arco de Tito) uma barreira central e uma arquibancada.
No século II a. C., passou a ser o espaço onde decorriam festivais e corridas de carros puxados por cavalos. Posteriormente, indo ao encontro das exigências dos cidadãos romanos, Júlio César, cerca do ano 50 a. C., aumentou a pista que ficou com seiscentos metros de cumprimento e duzentos e vinte e cinco de envergadura. Estas dimensões possibilitavam acomodar à volta de cento e cinquenta mil pessoas em lugares sentados e outras tantas em pé.
Domiciano ligou o seu novo palácio ao Circo para assistir às corridas e Trajano acrescentou-lhe cinco mil lugares sentados, ficando com a capacidade de trezentos e oitenta e cinco mil espectadores. Alargou também a zona imperial, para obter maior e melhor visibilidade durante as corridas.
As pedras deste monumento foram saqueadas durante a Idade Média e o Renascimento e, actualmente, quase nada existe.
Nas corridas de cavalos que se realizavam no Circo Máximo participavam quatro equipas, distinguindo-se pelas cores: branca, vermelha, azul e verde. Cada carruagem, fabricada em madeira e frágil, era puxada por dois ou quatro cavalos (neste último caso, eram chamadas quadrigas). Os competidores, na sua maioria escravos, tinham de possuir muita perícia, pois era difícil equilibrar essas estruturas de madeira durante as sete voltas do percurso. Os vencedores recebiam como prémio um ramo de palma e uma coroa de louro, ficando famosos. Muitos dos escravos vencedores, com o dinheiro que conquistavam, compravam a liberdade.

Escreve a tua opinião sobre o facto de na Idade Média e no Renascimento terem destruído este monumento quase por completo.

Emite uma opinião sobre se consideras importante que se reconstrua o Circo Romano, a partir das indicações que se possuem ou se seria um trabalho de pouca importância, pois Roma já tem muitos monumentos que atestam o seu passado glorioso.

domingo, janeiro 21, 2007

AS MULHERES GREGAS

As mulheres gregas pertenciam a vários grupos: podiam ser mulheres livres ou escravas; podiam ser cidadãs ou metecas; podiam pertencer a uma classe superior ou a uma classe inferior. Qualquer que fosse a classe a que pertencessem, não tinham qualquer direito político e em todas as fases da sua vida eram controladas por um homem: pai, marido ou irmão. Não tinha, portanto, o direito de se expressar em qualquer momento da sua vida. Se casava, passava de propriedade do pai a propriedade do marido; se ficava solteira, nunca saía do domínio do pai ou de quem o substituísse. Não casar era uma desonra para a família e a rapariga era vista como uma falhada que só traria despesas contínuas à casa.

Uma mulher grega livre principiava a sua vida como membro de uma família dominada por um homem, habitualmente o pai, que era chamado kyrios ou cabeça de família. Este cabeça de família tinha poder de vida ou de morte sobre os recém-nascidos da família. Assim, se o bebé era doente, se tinha algum defeito ou mesmo se era rapariga, podia abandoná-lo ou deixá-lo morrer.
Se a menina era destinada a viver, a mãe ensinava-lhe as tarefas domésticas: cozinhar, tecer, fiar e saber governar a casa. Era a preparação para quando ela fosse esposa e mãe. Já mais crescida, a jovem aprendia a forma de se tornar mais bela e atraente aos olhos do futuro marido e, cerca dos quinze anos, os pais arranjavam-lhe um matrimónio de conveniência, geralmente com um homem muito mais velho, que casava atraído pela beleza e juventude da noiva e sobretudo pelo dote ou oferta monetária com que era dotada. O valor do dote era muito importante, pois quem ficasse com ele era obrigado a sustentar essa mulher. Caso houvesse um divórcio, o dote era restituído à mulher. Quando se casava, a mulher passava a viver em casa do marido. Este esperava que ela já estivesse experimentada nas tarefas que lhe competiam, mas ele próprio a treinaria para o estilo de vida a que estava acostumado.
A principal missão da esposa era ser mãe, sobretudo de rapazes, que deveriam sobreviver aos pais e herdar a propriedade da família. Uma filha só era herdeira se não houvesse filhos legítimos e se casasse com um homem escolhido pelo pai, para que esse herdasse o património da família. Muitas vezes, o pai casava-a com um parente próximo. Para um marido, era importante saber que todos os filhos da sua esposa eram dele. Esperava, por isso, que a mulher lhe fosse fiel. Caso se comprovasse que tinha sido infiel, o marido podia divorciar-se e ela era excluída das cerimónias públicas, proibida de usar jóias e considerada como um pária social, ou seja, como alguém desprezível.
O momento de dar à luz um filho era muito perigoso. Muitas mulheres gregas morriam e os bebés também não sobreviviam. Cada mulher podia ter mais de dez filhos. Por isso, as que sobreviviam aos partos sucessivos, ficavam tão desgastadas que poucas iam além dos trinta e cinco anos de vida. À mãe competia a tarefa de cuidar do seu bebé e se este fosse rapariga destinada a sobreviver, toda a sua educação estava a cargo da progenitora. As raparigas de classe inferior aprendiam as mesmas tarefas que as de classe superior, para terem um meio de subsistência, indo depois trabalhar para casa de famílias ricas. As mães da classe superior contratavam ou compravam frequentemente amas para lhes alimentarem os filhos e cuidar deles. A maior parte das amas eram escravas e eram quase sempre muito amadas pelas crianças que criavam.
As escravas eram mulheres que tinham sido capturadas na guerra ou que eram trazidas por traficantes de escravos, ou ainda crianças abandonadas à nascença ou vendidas pelos pais que se encontravam num estado de profunda pobreza. Eram-lhes destinados os trabalhos domésticos que a esposa do dono orientava e, muitas vezes, enquanto jovens, eram também exploradas sexualmente.
Quanto à vida pública das mulheres, há historiadores que defendem que a maioria das mulheres era obrigada a viver sempre em casa, só saindo à rua na companhia do marido. Outros, contudo, baseando-se em peças teatrais da época em que as personagens femininas são livres de se movimentarem dentro e fora de casa, consideram que a mulher não seria tão reprimida como poderá parecer. Fosse como fosse, esperava-se da mulher que cumprisse os papéis que lhe estavam destinados e que tivesse em público um comportamento correcto e formal.
Ao lermos algumas inscrições tumulares, apercebemo-nos de que havia mulheres que não se dedicavam exclusivamente ao trabalho doméstico. Umas eram parteiras e médicas, outras eram amas, outras merceeiras, outras ainda, nas zonas rurais, trabalhavam nos campos e ajudavam os maridos no transporte dos produtos para as cidades – actividades que eram consideradas respeitáveis. Havia também outras formas de trabalho, como as relacionadas com o entretenimento, mas essas eram destinadas às escravas e às metecas: havia jovens que cantavam e tocavam instrumentos musicais nas festas destinadas exclusivamente a homens e onde se praticava todo o tipo de prostituição. Se a jovem era dotada para o canto e para a dança, era treinada como hetera, ou seja, cortesã que participava em cerimónias festivas.
Era, porém, no campo religioso que as mulheres dispunham de mais liberdade para se envolverem na vida da comunidade. Muitas vezes eram nomeadas sacerdotisas e, como tal, recebiam grandes honras. Outras vezes eram adoradoras ou tomavam parte em rituais e festivais só permitidos aos iniciados num determinado culto.
Em Esparta, contrariamente ao que acontecia em Atenas, a mulher participava, tal como o homem, num intenso treino físico, com a finalidade de se vir a tornar uma mãe forte e saudável, com a capacidade de ter filhos igualmente fortes e sãos. Mesmo durante a gravidez, o que não acontecia com as outras mulheres gregas, as espartanas eram aconselhadas a manterem o treino físico e a comerem e beberem o que lhes apetecesse. Com tanta actividade física, a mulher de Esparta ganhava uma aparência musculosa e mesmo masculina, o que a tornava alvo da troça das atenienses e das mulheres das outras cidades. Estava proibida de usar adornos físicos, como cosméticos ou jóias e não trabalhava nem na tecelagem nem na fiação. Devia, sim, estar apta para ser a esposa e a mãe de um bom soldado.

Depois de leres o meu texto sobre “As mulheres na Grécia”, dá a tua opinião sobre o género de vida a que a mulher grega tinha de se sujeitar.

Expressa também a tua opinião sobre a mulher espartana e se consideras bem que fosse sujeita a um treino físico semelhante ao dos homens.

quarta-feira, novembro 15, 2006

CONTINUANDO COM A HISTÓRIA...

Os quatro filhos de Geb e Nut eram, então, Ísis e Osíris, que casaram um com o outro, nascendo deles Hórus, e Néftis e Seth, que também casaram entre si.

Ísis era a deusa da medicina, do casamento, da cultura do trigo e da magia. Personifica a primeira civilização egípcia. Era a mais popular de todas as deusas. Consideravam-na a deusa da família e o modelo de mãe e esposa. Era invencível e protectora. Com os poderes mágicos que tinha, ajudava os necessitados. Acreditava-se que fora ela quem criara o Nilo, com as lágrimas que chorara pela morte do esposo, Osíris. Representavam-na usando na cabeça um trono, que é o hieróglifo do seu nome. Conseguiu ressuscitar o seu marido, reunindo as partes do seu corpo que tinham sido espalhadas pelo seu irmão (o terrível Seth), e juntos conceberam um filho, Hórus.
Pondo de parte a lenda, Ísis era a esposa de um antigo rei do Egipto, Osíris, que foi elevada à categoria de deusa, quando morreu. Para os egípcios, Ísis era a lua e seu marido, Osíris, era o sol.

Osíris é o deus dos mortos e do renascimento, rei e juiz supremo do mundo dos mortos. Segundo se crê, ele teria sido o primeiro faraó que ensinou ao seu povo o cultivo dos campos e deu-lhe leis sábias. Quando julgou ter terminado a sua obra, entregou o governo do reino a sua esposa e, na companhia do filho, percorreu várias regiões (Etiópia, Arábia e Índia), nas quais ensinou os benefícios da agricultura, das leis e da religião. Quando regressou, foi morto por seu irmão Seth que estava desejoso do poder e o corpo foi lançado ao Nilo. A esposa, como pretendia dar sepultura condigna ao marido, procurou o corpo, encontrando-o em Biblos, na Fenícia. Em seguida, reuniu um exército que lutou contra Seth, vencendo-o.
Na lenda, Osíris é retalhado por Seth em catorze pedaços que ficam dispersos. Ísis encontra-os, menos o pedaço correspondente ao falo, e consegue ressuscitar o marido, concebendo Hórus só com a força do espírito.
As imagens em que Osíris é representado mostram-no-lo com a cabeça coberta por uma mitra branca. É descrito como um ser bondoso, que sofre uma morte cruel com a qual assegura a vida e a felicidade eternas a todos os seus protegidos. É ainda a divindade que encarna a terra egípcia e a sua vegetação, destruída pelo sol e pela seca, mas que sempre ressurge pelas águas do Nilo.

Néftis era a quarta filha de Nut e Geb. O seu nome significa “Senhora da Casa”, entendendo-se por “casa” o lugar onde vive Hórus. Representava as terras áridas e secas do deserto e a morte e era a deusa protectora dos túmulos. Casou com Seth e, depois de ter brigado com o marido, fantasiou-se de Ísis. Osíris confundiu-a e de uma relação entre eles, nasceu Anúbis. Foi Néftis que ajudou Ísis a recolher os pedaços do corpo do marido que tinham sido retalhados por Seth.
Os egípcios representavam-na como uma figura feminina com o hieróglifo do seu nome na cabeça. Este hieróglifo é um cesto colocado sobre uma coluna, que usa na cabeça.

Seth era o deus da violência, da desordem, do caos, do deserto e das terras estrangeiras.. Era um deus malvado, encarnando o espírito do mal e, no Alto Egipto, consideravam-no também o deus da tempestade. Os outros deuses detestavam-no pelas sua acções, sobretudo pela morte cruel de seu irmão e, por isso, voltaram-se contra ele. Hórus conseguiu vencer Seth e, segundo umas versões, matou-o. Segundo outras, apenas o castrou.
O deus Seth era associado a vários animais: o cachorro, o crocodilo, o porco, o asno e o escorpião. Daí a sua aparência orelhuda e nariguda. Era ainda representado como um hipopótamo, que era considerado no Egipto um animal destrutivo e perigoso. Personifica a ambição e o mal.


Osíris e Ísis conceberam um filho, Hórus.
Hórus é o deus criador do Universo. Era representado por um falcão ou como um homem com cabeça de falcão, usando sempre as duas coroas: a do Alto e a do Baixo Egipto. Na qualidade de deus do céu, é o falcão cujos olhos são o sol e a lua. Com o nome de “Hórus do horizonte”, assume uma das formas do sol, a que dá claridade à terra durante o dia.
Hórus era adorado por todos e era considerado como o mais importante de todos os deuses, aquele que guiava as almas até ao reino dos mortos.
Vencedor de Seth, numa batalha em que perde um dos olhos, recebeu como recompensa o trono do Egipto, passando a usar sobre a cabeça uma serpente, em substituição do olho perdido. Após ele, todos os faraós passaram a usar essa serpente como símbolo de autoridade e da sua capacidade para tudo ver e tudo saber.


Quando Atum (Rá) envelheceu, colocou no seu trono Shu e Tefnet, avós de Osíris e de Ísis. Estes dois deuses, juntamente com o filho Hórus vão constituir a primeira trindade egípcia, tornando-se, de certo modo, os deuses nacionais e, por isso, venerados em todo o país.
As façanhas destes três deuses, às quais me referi muito resumidamente, foram escritas por Plutarco, numa obra intitulada Osíris e Ísis.

sábado, novembro 11, 2006

A CRIAÇÃO DO MUNDO E OS DEUSES EGÍPCIOS

Os egípcios eram politeístas, o que quer dizer que adoravam vários deuses.
Estes deuses tanto podiam ser animais que eram considerados sagrados, como por exemplo, o gato, o boi ou o crocodilo, como eram também deuses que representavam de forma antropozoomórfica, ou seja, com partes do corpo como as de um ser humano (antropomorfismo) e outras partes como a de alguns animais (zoomorfismo).

Os egípcios têm uma lenda muito interessante que explica a criação do mundo e alguns dos seus deuses. É esta lenda que começo agora a relatar.

No princípio existia o Nun, que era a divindade que personificava as águas primordiais. É a divindade egípcia mais velha e mais sábia de todas. Representavam Nun como um homem barbado, com uma pena na cabeça e segurando um cajado.



Nesse abismo líquido escondia-se Atum, num botão de Lótus. Atum é o deus que protagoniza o mito da criação. O seu nome egípcio era Itemu, o que significa “Totalidade” ou “Estar completo”. Era representado como um homem com barba que usava a coroa dupla do faraó. Por vezes podia aparecer com uma serpente e usando as duas coroas (a do Alto e a do Baixo Egipto). Era o rei de todos os deuses.
Um dia, sem que se contasse, Atum apareceu sobre o Caos como Rá (Sol) e criou dois filhos também divinos. Um era Chu ou Shu e o outro, uma deusa, era Tefnet.


Chu ou Shu era o deus do ar seco e da luz do sol. Foi ele que separou o céu da terra e era o responsável pela vida, pois era deus da luz do dia. Representava-se como um homem que usava uma grande pluma de avestruz na cabeça. Acreditava-se que afastava a fome dos mortos.




Tefnet ou Tefnut era irmã e esposa de Shu e surgiu de um vómito de Atum. Era a deusa da humidade e das nuvens e o símbolo das dádivas e da generosidade. Retratavam-na, às vezes, com cabeça de leoa, o que indicava poder. Sobre a cabeça usava o disco solar e uma serpente, a serpente Uraeus. Enquanto seu irmão e marido Shu afastava a fome dos mortos, ela afastava a sede. O casal gerou dois filhos, Geb e Nut.





Geb era o deus egípcio da terra, responsável pela fertilidade e pelo sucesso nas colheitas. Também era considerado deus da morte, porque se acreditava que ele prendia os espíritos maus, impedindo-os de ir para o céu. Era representado com as cores verde (a vida) e preto (a lama fértil do Nilo), usando uma pluma e chifres em forma de aríete. Nas pinturas, surgia com um ganso sobre a cabeça.





Nut era a deusa do céu que acolhia os mortos no seu reino. Casou com Geb, seu irmão e geraram as deusas Ísis e Néftis e os deuses Osíris e Seth. Nut era representada, muitas vezes, com a forma de uma vaca, pois dizia-se que tinha sofrido espontaneamente uma metamorfose. Outras vezes, o seu corpo aparece alongado, coberto por estrelas, formando o arco da abóbada celeste que se estende sobre a terra. O dia vinte e cinco de Fevereiro foi consagrado a esta deusa.